Pessoas como estratégia de negócio: por que o crescimento começa (e termina) nelas

29/10/2026 17:59 - Por Paula

Por Ketlin da Rosa Talevi

A minha primeira palestra de 2026 foi sobre captação de crédito de forma estratégica. Uma frase ficou ecoando: “Crédito não deve ser buscado para corrigir erros, mas para evitá-los.”

O palestrante falava de planejamento. Para buscar crédito, você precisa de meses para pôr a casa em ordem, e não fazer isso no desespero. Entrar numa dívida sem preparo pode destruir um negócio.

Ouvindo aquilo, uma pergunta começou a martelar: por que a gente não pensa em pessoas com o mesmo nível de estratégia com que pensa em dinheiro?

E antes que pareça que isso é tratar pessoas como ferramenta: calma, respira comigo.

Crescer sem planejar pessoas é risco, não estratégia

Quando uma empresa cresce e precisa de capital, ela se prepara. Revisa números, avalia cenários, calcula riscos.

Quando cresce e precisa de pessoas, muitas vezes faz o oposto: contrata no sufoco, no impulso, no “preciso pra ontem”. E isso também é risco: financeiro, cultural e humano.

No início de 2026, 68% das empresas brasileiras planejavam contratar, e o Brasil liderou o ranking global de intenção de contratação (ManpowerGroup). A pergunta que fica: como encontrar as pessoas certas, no tempo certo, contratando sem planejamento?

O improviso custa caro, e cobra com juros

A maioria das empresas ainda reage: apaga incêndio e corre atrás quando o problema já estourou. Não dá para culpar só o RH, que costuma ser um time pequeno com demanda infinita.

Mas o improviso gera consequências conhecidas:

  • alta rotatividade

  • perda de conhecimento

  • times sobrecarregados

  • ambientes adoecidos

No Brasil, a rotatividade passa de 50% ao ano, uma das mais altas do mundo. Isso não é azar. É sintoma de decisões tomadas sem estratégia de pessoas.

Pessoas no centro não é romantização. É desempenho

Fala-se muito em “somos uma família”, “olhar de dono”, “vestir a camisa”. Quando o caixa aperta, esses discursos costumam ser os primeiros a sumir. Mas são justamente as pessoas que fazem a empresa atravessar crises.

Segundo a McKinsey, empresas fortes ao mesmo tempo em desenvolvimento de pessoas e em resultado financeiro têm quatro vezes mais chance de superar a concorrência. Elas não performam apesar das pessoas. Performam por causa delas.

Essas empresas têm:

  • treinamentos bem estruturados

  • fluxos de trabalho claros

  • comunicação que funciona

  • liderança estratégica e democrática

Crescimento sustentável não é só faturamento

Eu não sou contra lucro. Muito pelo contrário. Mas quando o lucro vira o único norte, missão, propósito e cultura perdem sentido.

Negócios existem para sustentar pessoas, inclusive seus sócios e fundadores. E sustentar não é só pagar a conta: é gerar tranquilidade, relações saudáveis e oportunidades.

Não existe crescimento sustentável em ambientes insalubres, com pessoas adoecidas ou com times que saem na primeira oportunidade. Com a atualização da NR-1, a lei também pede que as empresas olhem para isso: carga, pressão, liderança e relações entram na gestão de riscos. Conheça a Ayla, nosso programa para a NR-1.

Planejar pessoas é planejar o futuro do negócio

Planejar pessoas é responder perguntas difíceis:

  • Quantas pessoas vou precisar para crescer?

  • Com quais competências?

  • Em que momento?

  • Com qual impacto financeiro e cultural?

Indicadores importam, mas precisam considerar as nuances humanas do jogo. Nem toda contratação vai dar certo, e tá tudo bem. O problema é quando nada disso importa.

Tecnologia, liderança e humanidade

A McKinsey estima que dois terços das tarefas atuais de RH podem ser automatizadas em grande parte. Isso não diminui o papel das pessoas. Ele se transforma: a gestão de pessoas deixa de ser centro de custo e passa a criar valor.

Por isso, líderes não se formam da noite para o dia. Não basta promover alguém e esperar que, magicamente, saiba liderar pessoas, tecnologia e complexidade.

Como disse o economista Andrew J. Scott: “À medida que as máquinas se tornam melhores em ser máquinas, os humanos precisam se tornar melhores em ser humanos.”

Para fechar

Pessoas não são variáveis de ajuste. Não podem ser contratadas no impulso nem descartadas no desespero. Talvez esteja na hora de planejar pessoas com a mesma seriedade com que planejamos dinheiro.

Na sua empresa, pessoas entram no planejamento ou só aparecem quando o problema estoura?

Quer decidir sobre pessoas com base em comportamento real, e não no improviso? Conheça as sessões gamificadas da Quest.

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Paula